Agricultores italianos estão plantando cânhamo para recuperar o solo contaminado

O cânhamo é uma variedade da cannabis que é usado desde os primórdios da humanidade. Há indícios do uso de cânhamo que datam de 12 mil anos. Por ser uma planta muito versátil, capaz de produzir fibras muito fortes, tecidos de excelente qualidade, papel, plásticos, etc, o cânhamo faz parte da história da humanidade.

Além de ser a matéria prima para a fabricação de diversos produtos e produção de combustível, o cânhamo também tem um papel fundamental na descontaminação do solo.

Na cidade de Taranto, na região italiana de Puglia, os fazendeiros que antes criavam gado para fabricação de queijos e laticínios, alimentos tradicionais do local, hoje estão com as fazendas cobertas de cânhamo, segundo reportagem do Slate.

Nos últimos 5 anos, a produção de cânhamo aumentou de 3 para 300 hectares na região de Puglia, cerca de 100 fazendeiros começaram a cultivar a planta.

Vincenzo Fornaro, proprietário de uma fazenda que fabricava queijos desde 1800, foi obrigado por oficiais do governo a abater o gado, pois os animais não estavam mais seguros para consumo humano.

Eles estavam contaminados por uma perigosa mistura de níquel, chumbo, e outras substâncias tóxicas. E assim, o tradicional comércio local de queijo chegou ao fim.

Cânhamo como purificador do solo

A culpada por contaminar os solos das fazendas de Taranto, que pode ser encontrada a alguns quilômetros da região, é a maior fábrica de aço da Europa. Agora, os fazendeiros estão proibidos de criar os animais dentro de um raio de 20 quilômetros da fábrica.

O cânhamo entra como uma salvação para purificar o solo, é o chamado fitorremediação, um processo que utiliza plantas como agentes de purificação de ambientes aquáticos ou terrestres, contaminados ou poluídos pelo depósito de substâncias inorgânicas como elementos químicos e dejetos de minério.

A planta da cannabis é extremamente eficiente em sugar toxinas de metais pesados em solos poluído. Os metais pesados são uma classe única de toxinas que não podem ser quebrados em formas não tóxicas, o que significa que eles persistem por um longo período.

“Nós nos encontramos em uma encruzilhada, tivemos que decidir entre ficar ou sair”, disse o agricultor Vincenzo Fornaro. “Decidimos ficar para defender nossa terra.” Por isso ele começou a plantar em 2014 a maconha industrial, que pode absorver substâncias tóxicas do solo e neutralizá-los.

O cultivo do cânhamo é legalizado na Itália, contanto que os agricultores informem à polícia que eles estão plantando a variedade que não contém THC, a substância psicoativa da planta.

No Brasil, mesmo contendo níveis baixíssimos ou nenhum THC, o cânhamo é considerado droga e é proibido pelo governo, enquanto italianos usam a fibra do cânhamo como uma alternativa na fabricação de tecidos, sapatos, bolsas, roupas, tijolos de construção, ao mesmo tempo que purificam o solo. Em terras tupiniquim continuamos explorando o eucalipto e o algodão, como principais recursos para a produção de papel e tecido, plantios responsáveis por reduzir os nutrientes do solo e comprometer o lençol freático assim como os reservatórios de água.

Via: Growroom

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